Sobre Pais e Filhos

Por Vivyanne Farias

Reconhecida como uma das funções mais sublimes a ser exercida pelo ser humano, gerar filhos deixou de ser há tempos a mera perpetuação da espécie, para configurar a nobre função de gerar, prover e educar uma criança. É encarada como uma dádiva, um presente que inclui desafios e realizações diárias. Educar filhos foi acrescida de desafios modernos que muitas vezes assustam e desolam os pais, provocando uma ampla série de questionamentos.

Congruência entre o discurso e a prática

É bastante usual que os pais indaguem sobre a melhor forma de educar seus filhos. Creio que a congruência entre o discurso e a prática deve ser uma prioridade. nesta relação. É confuso para a crianças quando uma regra não éseguida por aqueles que ela considera modelos. Por exemplo, pouco adianta ensinar que é importante preocupar-se com o meio ambiente, se nem os educadores primam por este cuidado.

Por mais que pareça óbvio, a congruência entre discurso e prática é um dos maiores desafios vigentes na educação familiar, refletindo no modelo familiar propriamente dito. Outro exemplo: é mais difícil para a criança entender que ler é algo bom se ela não vê ninguém lendo em seu ambiente doméstico. Assim, o conceito de que a leitura é algo positivo torna-se distante da realidade e descontextualizado para o infante. Ou ainda, se a criança aprende que estudar pode trazer mais que um boletim com boas notas, mas sim aprendizagem de conteúdos diversos sobre a vida cotidiana, ela tenderá a perceber que estudar é algo em que valerá a pena investir., independente de suas avaliações escolares. Para aqueles que aprendem, associar modelos de boas condutas às boas conseqüências no ambiente favorece a aprendizagem de comportamentos saudáveis.

“Qualidade é melhor que quantidade”

O velho ditado se adequa às relações entre pais e filhos. É comum a angústia dos pais pelo tempo restrito para ficarem com seus filhos. Alguns deles compensam a ausência física com outros tipos de “presença”: presentes, libertinagem e afrouxamento de limites. Porém, não existe nada melhor do que o tempo aproveitado qualitativamente com os filhos, uma vez que estes terão a idéia implícita de que são relevantes na vida dos seus pais, que a vida em comum é motivo de prazer e não um estorvo ou um motivo para adversidades.

Regras

A existência de regras, a clareza delas no ambiente familiar e seu seguimento constituem aspectos positivos para a construção de uma personalidade segura e saudável. É muito importante que as crianças saibam o que elas podem e não podem fazer, quais regras devem seguir, até que ponto podem barganhar e quando não adiantará a barganha para conseguir o que desejam, pois o seguimento da regra terá mais importância.

Crianças que não estão acostumadas com regras tendem a apresentar índices mais elevados de insegurança e relatam sentirem-se “perdidas”, quando avaliadas. Da mesma forma, a rigidez excessiva de regras, principalmente quando a idade requer certa maleabilidade, pode ser bastante nociva. Nesta etapa, avaliar com freqüência a forma de transmissão das regras, seu nível de exigência e a importância delas na educação das crianças é fundamentall Em casos mais severos, em que haja comprometimento emocional ou escolar, é válida a procura de uma ajuda profissional.

“Problemas?”

Não existe criança-problema, pai-problema, nem mãe-problema. Todos precisam lembrar que problemas em si existem sim, em qualquer relacionamento, e isto inclui as relações parentais,. Nada além de dificuldades que requerem aprimoramento. O que existe é comportamento-problema que trazem dificuldades para a família e que requerem a criação de contextos novos para que melhores atitudes se desenvolvam. A medida que as dificuldades são enfrentadas em sua origem, há o enfraquecimento dos velhos comportamentos-problema e a aquisição de comportamentos e atitudes mais saudáveis.

Autoridade e Amor

A idéia de modelo educacional que envolve autoridade e amor deve ser um ponto-chave para a educação, pois ela traz segurança à criança. Os pais que ditam normas muito rígidas ou os pais que são indiferentes aos seus filhos oferecem ambiente inóspitos e forte propensão às incertezas ambientais que, conseqüentemente, trarão condições nocivas para o desenvolvimento da psiquê.

Importância do Diálogo

É imprescindível que haja espaço doméstico para diálogos francos e transparentes acerca das vivências da criança, sejam elas familiares, escolares e sobre o mundo atual. Ouvir a opinião do seu filho é uma ferramenta rica para entender pensamentos e sentimentos da criança sobre o modo que ele percebe o mundo.

Ressalto que este ensaio é ilustrativo e jamais restritivo! De tal modo que não haja espaço para culpa ou remorso por erros e dificuldades referentes à vida comum. Já aos filhos, que haja espaço para aprendizagem continua, além de suporte emocional tão necessário ao desenvolvimento saudável. Temos aqui apenas algumas idéias importantes para a educação das crianças, pois gerar e prover filhos significa convidar o ser humano a olhar para dentro de si e para o Outro, a fim de oferecer o melhor em nome de sua descendência.

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