Análise psicológica em seu devido lugar

Psicóloga do RN lança manifesto contra a banalização dos psicotestes entre os concurseiros

Mais um tema caro aos concurseiros de plantão: a avaliação psicológica em concurso público, o temido psicoteste. Candidatos reclamam que os critérios de avaliação não são objetivos - o que em muitos casos leva ao questionamento de seus resultados via judicial. Muito além do interesse individual em conseguir sua aprovação está o interesse coletivo em ver o serviço público ocupado por pessoas adequadas aos perfis e exigências dos cargos em questão. É o que ressalta a psicóloga Vivyanne de Medeiros Farias.

Ela lançou uma nota de esclarecimento sobre o exame psicotécnico em concursos, com o intuito de alertar que a prática de aplicar testes psicológicos com a finalidade única de preparar candidatos para a avaliação psicológica, simulando um treinamento, é ilegal e infringe o código de ética profissional da categoria. A infração pode ser penalizada com multa ou prisão, que pode ir de 15 dias a três meses. Diante da gravidade do problema, a psicóloga pede à população que denuncie a prática. "O psicoteste é uma avaliação psicológica estruturada para avaliar a compatibilidade do candidato ao cargo pretendido em específico. As pessoas tendem a achar que é algo que deve ser estudado, mas na verdade é algo que avalia o seu momento, como você é", afirma Vivyanne.
De acordo com o Conselho Federal de Psicologia, os testes psicológicos têm por objetivo descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, como as emoções, afetos, inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória e percepção. Segunda a psicóloga, o psicoteste traz uma série de vantagens para o concurso. "Se o candidato é compatível com o cargo ele terá melhor desempenho, enfrentará menos dificuldades e problemas e errará menos. O psicoteste está previsto em lei e é uma fase necessária do concurso público".
Ela explica que a incompatibilidade não significa loucura. "Todas as pessoas possuem habilidades e aptidões, porém nem todas apresentam facilidade em desempenhar algumas atividades profissionais". Ela ressalta que a questão não está no teste em si, mas no prejuízo certo trazido pela aprovação de uma pessoa que não corresponde ao perfil. "Há um ônus tanto para ela quanto para a sociedade".


Vivyanne Farias diz que escreveu o manifesto por se sentir incomodada com o grande número de solicitações para que realizasse essas simulações. "Por que alguns candidatos acreditam que devem 'estudar' testes psicológicos ou simular aspectos emocionais e psicológicos distintos dos que possui para ser aprovado? Não existe treino. Diferente dos conteúdos cobrados no concurso, é ilusória a idéia de aprender a responder psicotestes. Cada um possui características próprias que justificam os métodos e técnicas psicológicas em sua construção". Ela frisa que, de acordo com a legislação vigente, os exames caracterizam uma técnica de uso privativo dos psicólogos, assim como sua aplicação, manuseio e guarda - inclusive dos resultados, que são sigilosos. Ainda, o código de ética da profissão determina que psicólogo deve evitar a disseminação de instrumentos psicológicos a leigos e impedir o exercício ilegal da profissão. Apesar disso, a Internet é um local fértil para a disseminação de psicotestes, que são oferecidossem maiores problemas, gratuitamente ou para compra. "Muitos se preocupam com seu aspecto emocional apenas na véspera dos exames psicológicos, quando na verdade deveria haver uma preparação global juntamente com os estudos. As emoções são os grandes mediadores dos processos de aprendizagem", avalia.
Matéria publicada no Jornal Diário de Natal. Edição de terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um comentário:

Carlos de Brasília disse...

Oi Vivy. Sou o Carlos da UnB, lembra? Parabéns pela matéria publicada. Acredita q estou acabando minha especialização em Terapia Cognitiva? rsrs...