POR QUE SOMOS AGRESSIVOS NO TRÂNSITO?

Por Vivyanne Farias

Um breve olhar pelas ruas e logo constatamos a agressividade no trânsito. Cada vez mais os motoristas agem impulsivamente e têm dificuldades de controlar a raiva. O que nos torna tão agressivos?

O trânsito é um espaço coletivo, onde o exercício da tolerância, o seguimento das regras e os interesses pessoais devem estar em equilíbrio. Nesta balança, a prudência deve ser perene, pois ela ressalta a prioridade ao bem comum. Todavia, os interesses alheios e variáveis imprevisíveis como acidentes e mudanças climáticas influenciam a fluidez do tráfego. Nos desafios de viver em sociedade estão inclusos como fenômenos mundiais a agressividade no trânsito e suas implicações, suscitando discussões interessantes.

Diversas pessoas relatam que dirigir é uma expressão de liberdade. De fato, poucas atividades simbolizam com tamanha propriedade a condução da nossa própria vida. Numa analogia aos lutadores medievais, alguns autores ressaltam que o homem dentro de uma “carcaça de aço” sente-se protegido e pronto para o combate, sendo os carros utilizados como recursos para impor medo.

O potencial agressivo das pessoas, cuja parte da natureza é inata, encontra terreno fértil para surgir no trânsito. Violações e infrações aumentam a cada dia e são percebidos com facilidade. Imprudência e irresponsabilidade também. A vida comum nos indica que escolher viver em coletividade implica abdicar momentaneamente desejos e necessidades pessoais em prol do bem comum. De tal forma que a negociação nas disputas pelos espaços e a convivência amigável são fundamentais.

É bastante comum que as pessoas descarreguem neste ambiente suas angústias e aflições. Além disso, o anonimato das estruturas físicas dos veículos corrobora a sensação de superioridade dos condutores. Deste modo, o infrator sente-se protegido tanto pela caracterização física dos veículos, quanto pela impunidade recorrente em casos de agressividade a outrem.

Assim como noutros aspectos da vida, o modo que percebemos o trânsito é também um reflexo de como vemos o mundo. Encaramos o trânsito como espaço de disputas, discórdias e competição? Ou o vemos como cenário de convivência?
Um comportamento agressivo se refere a todo e qualquer ato que tenha por finalidade ferir o outro física ou verbalmente. Comumente, uma agressão é decorrência de sentimentos de insatisfação e frustrações, quando o indivíduo não consegue lidar de forma saudável com uma determinada condição. No trânsito, constatamos que as expressões da agressividade vão desde xingamentos e atos obscenos até incidentes intencionais que inviabilizam a boa condução na coletividade. Atitudes como estas são arriscadas, uma vez que os danos materiais decorrentes da má condução de veículos podem ser severamente danosos.

Um estudo sobre agressividade, raiva e trânsito (Monteiro e Günther, 2006) trouxe contribuições interessantes acerca das emoções e manejo delas no trânsito. Os resultados do estudo apontam que quanto menor o conjunto dos índices de raiva na direção, menores os de erros e violações de motoristas; ademais, baixos índices de raiva na direção relacionam-se com baixos índices de agressividade. Finalmente, baixos índices de agressividade são relacionados com baixos índices de erros e violações de motoristas.

Estes dados assinalam que, para termos uma boa convivência, é necessário o equilíbrio e o autocontrole emocional na condução dos veículos. O transito é um local em que concentração, atenção e cautela devem reger as decisões e interações, sendo fundamental o controle dos nossos impulsos. Ao dirigir, devemos resguardar nossas fragilidades pessoais, emoções disfuncionais e sentimentos negativos. Antes das satisfações pessoais, o respeito pelos direitos e deveres coletivos é reflexo da boa utilização do espaço público.

Referências Bibliográficas

Monteiro, C. A. S & Gunther, H. (2006). Agressividade, raiva e comportamento de motorista. Psicologia: Pesquisa & Trânsito, v. 2, nº 1, p. 9-17, Jan./Jun. 2006

Tebaldi, E. & Ferreira, V. R. T (2004). Comportamentos no trânsito e causas da agressividade. Revista de Psicologia da UnC, Vol 2,n 1, p. 15-22.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ora, é simples, porque ninguém tolera um babaca atrapalhando o transito.